Alfândega do Porto- O centro de congressos já existe. Porquê outro?
Debate: “O Palácio de Cristal: Memórias e cenários
A associação de Defesa do Ambinete ,Campo Aberto e o Movimento de Defesa do Palácio de Cristal organizam, no próximo dia 10 de Abril, pelas 16:30, um debate sobre a intervenção prevista para o Palácio de Cristal. O debate decorrerá no Clube Literário do Porto (sito na Rua Nova da Alfândega, 22, Porto – à Ribeira).
Para mais informações acerca do evento, aceder ao seguinte endereço:
http://www.campoaberto.pt/2010/03/29/debate-o-palacio-de-cristal-memorias-e-cenarios/
Notícia do Público (2/04/2010): Novo projecto para o Pavilhão Rosa Mota altera localização de edifício polémico
Por: Jorge Marmelo Pavilhão destinado a sala de conferências sai da zona do lago e transfere-se para um local menos sensível, contornando argumentos do movimento que contesta o projecto.
O arquitecto Carlos Loureiro entregou ontem uma nova versão do projecto que visa transformar o Pavilhão Rosa Mota, no Porto, num centro de congressos que será futuramente explorado por um consórcio que junta a Associação Empresarial de Portugal (AEP), o Coliseu do Porto, a ParqueExpo e o Pavilhão Atlântico. Ao que o PÚBLICO apurou junto de várias fontes, o novo desenho afasta da zona do lago dos jardins do Palácio de Cristal o edifício destinado a uma sala de conferências com capacidade para 1200 pessoas, contornando, deste modo, a contestação ao projecto que vem sendo promovida por um grupo de cidadãos portuenses (ver caixa).
Carlos Loureiro, que é também o autor da calote esférica (construída na década de 1950) que alberga o Pavilhão Rosa Mota, terá ficado sensibilizado pelos argumentos invocados pelos contestatários do projecto de requalificação. Embora sempre tenha afirmado que o polémico pavilhão não implicaria o sacrifício de nenhuma árvore, o arquitecto terá encontrado uma solução mais consensual: o edifício será transferido para junto do parque de estacionamento subterrâneo existente diante do Rosa Mota, ocupando uma zona lateral de modo a não colidir com a vista frontal do imóvel em vias de classificação.
Contactado pelo PÚBLICO, Carlos Loureiro confirmou apenas a entrega do anteprojecto que dá corpo à mudança do desenho, mas escusou-se a prestar mais esclarecimentos. O arquitecto confirmou apenas que os prazos anunciados no ano passado para a conclusão da obra poderão sofrer algum atraso: “É natural que seja preciso mais algum tempo para estudar melhor o projecto, que é bastante complexo, para não haver surpresas posteriores”, disse.
A alteração agora apresentada poderá pacificar os ânimos entre os contestatários do projecto e, embora só ontem tenha sido formalmente apresentada ao consórcio, já estaria a ser trabalhada há algum tempo com a anuência das instituições envolvidas, incluindo a Câmara do Porto. Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial da AEP confirmou apenas, porém, que o projecto de modernização do Pavilhão Rosa Mota apresentado em Junho do ano passado “está a ser revisto”, remetendo qualquer esclarecimento adicional para a Câmara do Porto, que é a dona da obra.
O PÚBLICO questionou anteontem, por e-mail, a autarquia, mas não obteve qualquer resposta até ao final da tarde de ontem, pelo que também não foi possível apurar se já está definida uma data previsível para o arranque das obras, orçadas em 19 milhões de euros. Segundo foi anunciado em Junho, a operação de modernização do Pavilhão Rosa Mota deveria arrancar durante o ano de 2010 para ficar concluída no final do próximo ano.
O projecto de modernização, recorde-se, prevê não só alterações profundas no interior da enorme cúpula verde, mas também a construção de quatro novos volumes no exterior: um restaurante, uma torre para descarga de gases, um paralelepípedo com cerca de três metros de altura, destinado a conferências de menor dimensão, e o pavilhão que foi agora deslocado. O objectivo da intervenção passa por dotar o equipamento de condições que lhe permitam conciliar vários tipos de realizações, nomeadamente conferências, espectáculos musicais e eventos desportivos, podendo passar a acolher grandes congressos internacionais com até sete mil participantes.
Para além da alteração da localização do edifício destinado a conferências até 1200 participantes, o novo anteprojecto, apurou o PÚBLICO, incluirá outras afinações do desenho apresentado há nove meses. Terá ainda sido equacionada outra possível localização para a sala de conferências que é objecto de contestação, a qual passaria pela sua transferência para junto ao muro que confina com a Rua de Jorge Viterbo Ferreira, junto à Rua de D. Manuel II, ocupando uma faixa de terreno onde actualmente existe um ringue desportivo.
Notícia do DN: Petição conta já com 4000 assinaturas
Referendo em defesa do Palácio de Cristal
O Movimento em Defesa dos Jardins do Palácio de Cristal vai voltar às ruas do Porto para recolher as mil assinaturas em falta para um referendo local sobre o projecto de construção para ali previsto. Já foram conseguidas quatro mil, anunciou ontem Soares da Luz, e em Fevereiro contam ter o número que justifique a consulta popular, disse o porta-voz da plataforma. “Temos quatro mil assinaturas e outras tantas de pessoas que apoiam a causa mas não estão recenseadas na cidade”, afirmou.
“Concorda com a construção de edifícios nos jardins do Palácio de Cristal para um centro de congressos?” é a pergunta que o movimento pretende levar a referendo. “Se tudo correr bem, em Agosto/Setembro será possível realizá-lo”, avançou Soares da Luz.
Apesar do optimismo, o movimento está consciente de que a intenção de levar a referendo local o projecto de construção de um centro de congressos pode “esbarrar” logo nesta primeira fase, uma vez que o voto de qualidade do presidente pode chumbar este projecto. Após ter as assinaturas necessárias, o movimento pretende entregá-las ao presidente da Assembleia Municipal do Porto, Rui Valente de Oliveira, para que a realização do referendo seja aprovada naquele órgão.
O movimento já pediu uma reunião com Valente de Oliveira e vai solicitar reuniões com todos os partidos para “sensibilizar os deputados para a questão”. Caso seja aprovada a proposta de realização do referendo em assembleia municipal, caberá ao Tribunal Constitucional pronunciar-se sobre a pergunta.
A recolha de assinaturas se- rá feita na Rua de Santa Catarina, junto ao Café Majestic, às quartas-feiras, entre as 14.00 e as 18.00, e, aos sábados, entre as 11.00 e as 14.00.
Reportagens do JUP e Biosfera
O Jornal Universitário do Porto realizou uma reportagem sobre o projecto de construção de novos edifícios nos Jardins do Palácio, na qual constava uma entrevista ao nosso membro Diogo Maia. A entrevista pode ser descarregada aqui.
O Biosfera de 14 de Outubro continha também uma reportagem em que membros do movimento são entrevistados, assim como Paulo Araújo do blogue Dias com Árvores, o arquitecto João Loureiro e Rui Rio. Quem não viu na TV pode ver em baixo.
Palácio de Cristal no Porto na Biosfera from ugo.sou on Vimeo.
Uma curiosidade é a constante redefinição do projecto. Na reportagem do JUP é anunciado que os novos edifícios terão telhados verdes, enquanto que a reportagem do Biosfera fala em 2770 m2 de área edificada, contra os 3500 m2 inicialmente apontados. Já no debate que tivemos no Clube Literário do Porto, aliás, o Arquitecto fez questão de dizer que tinha modificado o projecto para preservar algumas árvores. Se isto são apenas manobras de diversão, é difícil dizer. Certo é que a contestação pública está a levar a que quem quer destruir os Jardins do Palácio se coloque cada vez mais na defensiva.
Comunicado
Nota: este comunicado é uma resposta ao panfleto distribuído pela Porto Lazer, que pode ser descarregado aqui.
HÁ DESTRUIÇÃO DOS JARDINS DO PALÁCIO DE CRISTAL SIM, SENHOR PRESIDENTE
O desdobrável profusamente distribuído na cidade pela Câmara do Porto, subscrito pela Portolazer-EM, pelo “futuro Consórcio gestor do Palácio em parceria com a Porto -Lazer” e pelo arquitecto José Carlos Loureiro, em que, a pretexto de esclarecimento público se acusa os promotores do Referendo em Defesa dos Jardins do Palácio de Cristal de ”faltar à verdade e persistente desinformação“, não passa de mais um acto de pura propaganda, contrário aos procedimentos participados, como deveria ser uma gestão democrática da cidade.
Não, senhor Presidente, não basta ser eleito. Um presidente de câmara não é dono mas apenas intérprete dos destinos da cidade, que deve ouvir para todo e qualquer acto que altere estruturalmente as questões do urbanismo. Sendo que os cidadãos se pronunciaram há bem pouco tempo sobre o PDM, que salvaguardou os jardins do Palácio de Cristal que V. Exª., agora, quer mutilar.
E A DESTRUIÇÃO DOS JARDINS TEM MÚLTIPLOS ASPECTOS:
1 -Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando o espaço deixa de ser jardim e passa a ser edificado;
2 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando o bucolismo, a tranquilidade o naturalismo e o sossego dos utentes é perturbado por gente que aí vai massivamente por razões meramente empresariais;
3 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando um lago histórico, presente no imaginário da cidade, é significativamente destruído com nova construção e a parte restante transformada num ridículo espelho de água;
4 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando se eliminam diversas espécies arbóreas e o habitáculo de gansos, patos e peixes, para falar apenas na fauna mais visível, e a relação pedagógica e de lazer aí vivida por muitas crianças;
5 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando se transforma a relação visual do pavilhão com a paisagem aberta a sul e ao rio, o que hoje constitui uma imagem simbólica da cidade;
6 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando a alameda principal deixa de estar desafogada, com espaços laterais e preservada de vistas de estranhos ao jardim, e passa a ter uma frente construída que destrói relações espaciais e perspectivas;
7 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando se introduzem transportes pesados nas alamedas, com as incompatíveis poluições visuais e sonoras associadas às cargas e descargas permanentes, e se introduz insegurança resultante do movimento dos veículos;
8 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando se coloca nos espaços exteriores maquinaria pesada, de refrigeração e ventilação forçadas, aliás como já hoje se verifica um apontamento nos espaços frontais ao pavilhão;
9 – Há destruição dos Jardins do Palácio de Cristal quando se contraria o PDM, que hoje apenas permite a possibilidade de pequenas construções para específico apoio ao uso dos espaços verdes, e se transforma aquele espaço verde público num espaço de carácter privado, de serviços empresariais e de “banqueting”;
Os fundamentos acima indicados reafirmam, objectivamente, a razão dos cidadãos que, desinteressadamente, lutam em defesa dos jardins públicos da cidade, contra uma administração abusivamente autoritária.
Justifica-se assim a iniciativa de Referendo Popular em curso, nesta fase em recolha de assinaturas para fundamentar a sua promoção, pelo que se apela à participação de todos os cidadãos que queiram ajudar a definir o futuro dos Jardins do Palácio de Cristal.
Por uma cidade democrática.
Setembro de 2009
O Movimento em defesa dos Jardins do Palácio de Cristal
Notícia do Público: Reacção ao panfleto da Porto Lazer
Movimento afirma que Rui Rio fez “propaganda enganosa”
Em causa está um desdobrável distribuído aos munícipes sobre o futuro dos jardins do Palácio de Cristal.
O Movimento em Defesa dos Jardins do Palácio de Cristal acusa o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, de “não falar verdade” e de fazer “propaganda enganosa aos portuenses”. Em causa está o info mail Ninguém vai destruir os jardins do Palácio de Cristal, assinado pelo consórcio gestor do Pavilhão Rosa Mota/Palácio de Cristal, pela empresa municipal Porto Lazer e pelo arquitecto responsável pela reabilitação do local, José Carlos Loureiro.
No desdobrável, distribuído pelas caixas do correio da cidade, diz-se que “alguns movimentos de cidadãos têm procurado desinformar a opinião pública, afirmando que a reabilitação do emblemático Palácio de Cristal implica a destruição de uma parte significativa dos jardins envolventes”.
Usando duas imagens – uma de uma pequena parte do lago actual e outra, com o mesmo ângulo do previsto espelho de água -, os responsáveis pela brochura garantem que a reabilitação do Palácio “implica apenas a remoção de cinco árvores sem qualquer relevo ambiental e a ocupação de uma parte do lago, que assim verá a sua configuração alterada”. O documento acrescenta que a parte do lago que não será ocupada pelo novo edifício que irá nascer no local será “transformada num espelho de água”.
Soares da Luz, do movimento, diz que “basta ver o projecto aprovado pela Assembleia Municipal do Porto” para desmentir este facto. “Nesse documento, o novo edifício aparece construído em cima do lago e destrói uma parte dos jardins”, diz. Além disso, acrescenta, “um espelho de água não é um lago”.
O responsável diz ainda que o movimento “não tem nada contra a conservação do Pavilhão Rosa Mota”, explicando: “Achamos muito bem que seja reparado e tenha a dignidade que merece. Estamos contra a destruição do lago para se construir um centro de congressos para 1200 pessoas.” Uma convicção que leva Soares da Luz a alegar: “Rui Rio não fala verdade aos cidadãos do Porto quando envia este info mail. Tenta com estas fotografias fazer propaganda enganosa aos portuenses.”
Recolha de assinaturas
A recolha de assinaturas para a realização de um referendo local tem corrido muito bem, com a população do Porto a aderir em força a esta causa. Junte-se também a nós, recolhendo assinaturas junto de conhecidos. A folha da petição pode ser descarregada na secção “Referendo“.
Novidades
O nosso blogue foi alterado, de forma a incluir duas novas secções, “Comunicados” e “Referendo”. A primeira será preenchida com os comunicados que temos entregue à população, dando conta das nossas posições. A segunda dará informações sobre o processo para o referendo popular.
Reiteramos o apelo para a recolha de assinaturas para que se realize um referendo sobre os destinos dos Jardins do Palácio. As folhas podem ser descarregadas na secção “Referendo“.
Uma outra informação importante: o local das nossas reuniões semanais foi alterado para o Café Ceuta. Para mais pormenores, ver a secção “Agir“.










